Marcello Caetano. Uma Biografia Política

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EM FORMAÇÃO

AUTOR
José Manuel Tavares Castilho
DIMENSÃO
8,80 MB
NOME DO ARQUIVO
Marcello Caetano. Uma Biografia Política.pdf
ISBN
3756492462823

DESCRIÇÃO

No momento em que, no dia 25 de abril de 1974, entregava o Poder ao general António de Spínola, Marcello Caetano assumia a sua derrota pessoal como Presidente do Conselho, no termo de um consulado atribulado e complexo, feito de esperanças e desilusões, num permanente equívoco assente em equilíbrios impossíveis entre evolução e continuidade. Mas o que derruía não era, nem apenas nem sobretudo, o seu projeto, mas o próprio sistema político que ele ajudara a construir, do qual fora um dos principais teóricos, e em cujo percurso se empenhara convictamente ao longo de dezenas de anos. Com ou sem Marcello Caetano, o Estado Novo cairia sempre. Porque já estava praticamente morto, esgotado. Naquele momento, o último Presidente do Conselho carregava sobre os seus ombros todo o peso de quase meio século da história de Portugal, em que dominou o autoritarismo ditatorial de Salazar, a quem as leis da vida e da morte permitiram uma saída de cena mansa e tranquila. Um sistema autoritário que Marcello Caetano, peado pelos seus próprios pré-conceitos ideológicos, e numa luta cada vez mais solitária, não conseguiu nem podia reformar. A herança era demasiado pesada, os apoios escassos e as resistências vinham do próprio topo do Poder. No dia do golpe, as forças supostamente fiéis ao regime não reagiram, não deram um passo, nem arriscaram um milímetro na sua defesa. O que é também uma manifestação gritante da «convicção» com que se afirmavam defensores do que diziam ser os «valores perenes da Pátria». Ao contrário de quase todos os que – o Palácio de Belém incluído –, salvaguardando-se na fidelidade à pureza dos princípios herdados, nunca avançaram para além das críticas, Marcello Caetano assumiu-se como um político de corpo inteiro. E não faz sentido, do ponto de vista da história política, isolá-lo como único e exclusivo responsável pela situação que, inviabilizada qualquer transição pactuada, impôs o golpe de 25 de abril de 1974. As próprias elites – e não apenas as elites políticas –, não apostaram nele, mantendo-se, quando muito, em prudente reserva. As elites portuguesas sempre preferiram as certezas do passado às incertezas do futuro, reconfortando-se num presente pequenino e sem horizontes. Aqueles que se diziam herdeiros dos descobridores de Quinhentos que, dominando medos e pavores, se abalançaram, com êxito e glória, num salto sobre o desconhecido, mantiveram-se amarrados ao cais do Restelo, onde uma espécie de mar, lânguido e sonolento – em brutal contraste com o fragor medonho do Cabo das Tormentas, tão epicamente evocado por Camões e Fernando Pessoa – os embalava numa modorra acrítica, estéril e inoperante, com se a História tivesse parado no Infante D. Henrique. Só que o Infante era o Futuro, o Risco, a Audácia, e os que se assumiam como seus herdeiros não passavam de uma corte de usufrutuários das migalhas que restavam do Mundo cujas rotas ele abrira, ganhando um lugar na História. Aos últimos não restaria mais do que uma apagada nota de rodapé nas vulgatas da história de Portugal. No dia 25 de abril de 1974, Marcello Caetano caiu de pé, absolutamente só.

Read reviews from world's largest community for readers. No momento em que, no dia 25 de abril de 1974, entregava o Poder ao gener... Marcello Caetano: Uma Biografia 1906-1980 Resumo Marcello Caetano, 1906-1980, de Francisco Martinho (académico brasileiro, "pupilo" de António Costa Pinto), retrata a vida e o homem nos seus vários quadrantes: família, academia, política e exílio. José Manuel Tavares Castilho que publicou um bem construído e documentado Marcello Caetano - uma biografia política (Almedina, 2012), também de fácil e agradável leitura, onde deixa claro não se identificar politicamente com o biografado, apresentou na sua tese de doutoramento realizada no ISCTE um curriculum vitae, cuja junção era então obrigatória, em que apenas regista ... Sobre Marcello Caetano - Biografia - Bibliografia - Biografia.

Nota: Comentários com linguagem ofensiva ou provocadora, ou que não expressem uma opinião sobre o livro ou sobre o seu autor, não serão publicados. No momento em que, no dia 25 de abril de 1974, entregava o Poder ao general António de Spínola, Marcello Caetano assumia a sua derrota pessoal como Presidente do Conselho, no termo de um consulado atribulado e complexo, feito de esperanças e desilusões, num permanente equívoco assente em equilíbrios impossíveis entre evolução e continuidade. Mas o que derruía não era, nem apenas nem ... Marcello Caetano - Uma Biografia Política No momento em que, no dia 25 de abril de 1974, entregava o Poder ao general António de Spínola, Marcello Caetano assumia a sua derrota pessoal como Presidente do Conselho, no termo de um consulado... Inicialmente ligado aos círculos políticos monárquicos católicos do Integralismo Lusitano, ainda jovem participou na fundação da Ordem Nova [7] (1926-1927), um movimento que se auto-classificava de antimoderno, antiliberal e antidemocrático, cuja revista Marcello Caetano dirigiu. Marcello Caetano.

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